Sábado, 25 de Julho de 2009

MARIA GABRIELA LLANSOL

Vou por aí...

 

 

Hoje ao mexer nas prateleiras dos livros... procurava " O mar, o mar", de Írish Murdoch, encontrei um  outro, " um beijo dado mais tarde", de Maria Gabriela Llansol.

 

E como tenho o mundo inteiro dentro da cabeça, indo por aí, vou escrever umas palavras desse livro.

Vai comigo.

 

Amo Maria Gabriella. Pelo seu absurdo,

 

 

 

...Eu vi, veloz, que alguém, ou alguma coisa, ou alguma hesitação sobre o absoluto, precisava de nascer                        de nascer deles. Voltei para trás à fonte de silêncio e                                           senti que ia ser profundamente amada, e mal.

 

 

Ele interrogou — Queres ser superficialmente bem amada

ou

mal amada, mas profundamente?

" Amada profundamente mal, amada profundamente e sem saber", traçou o pé do lápis na ombreira da porta.

É dessa profundidade que Témia sofreu, e morre.

Profundidade que era pão, sopa com pão e palavras, e uma colher de azeite virgem onde brilhava já, mas por levar até ao fim, a redenção penetrante da Casa.

" Ana ensinando a ler a Myriam,          disse eu, acabará por encontrar o último fragmento do objectivo que nos falta".

 

Ana ensinando a ler a Myriam é uma ideia. A bela ideia de uma imagem perene. A tesoura do cesto da costura, desenhada no canto inferior esquerdo, opondo-se à ponta do tecido, aceitando, sem ver, a bela cor azul. Que força emana desse quadro, da pomba de cabeça inclinada, do dedo sobre o meio do livro, da criança de pé, vestida de branco, três vezes mais pequena que a altura da Ana.

Que magnífico sentimento de cabeça envolta num véu, e murmurando " que exista em abundância". Uma mão pousada, uma mão erguida deixando ver a palma, uma mão parada sobre o coração, outra fazendo de estante.

Um decote de vestido, três pregas de saia, uma nuvem que protege, e o esforço ininterrupto de ler. Ler, lendo, antes de ler, a ler, depois de ler, lembrando que estava a ler, lembrando a leitura, lembrando o pequeno tapete, ou quadro, em que pousamos os pés.

Leio,

ela lê:

" quando a tarde cai, reacendo as luzes que ficaram quase acesas da outra noite".

 

 

 

Imagens de Karin Svékessy

publicado por ionesco às 20:55
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2 comentários:
De adignidadedadiferenca a 29 de Julho de 2009 às 23:19
Da Murdoch ando a preparar-me para leo "O Príncipe Negro".
De ionesco a 6 de Agosto de 2009 às 20:32
http://bloguilibri.wordpress.com/2009/05/28/aquele-verao-em-paris-abha-dawesar/

O livro refernte ao atalho acima mencionado é péssimo. "Não tem ponta por onde se lhe pegue".
Para mim ,a pornografia terá que ser creativa, senão...ex. Hilda Hilst.
" As meninas da Numídia"- estou a meio do livro.
Ainda é cedo...
" Pais e Filhos"- um florir de lindos quadros e muito intenso. Dói.

Nunca gostei de muitas palavras. Poucas e telegráricas. Cansa.
Gosto muito de Pessoa e Florbela por isso... a última um pouco repetitiva, acho...

De Murdoch... O Mar, o mar é o melhor.

E já escrevi demais...

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