Terça-feira, 21 de Julho de 2009

MOMENTOS DE GLÓRIA

 

Para o Freddy Boy.

 

A personagem é o " diabo", wright?

 

Não esta, a sua!

 

Muita atenção!

 

Bem escolhida , certo?

 

O conteúdo é completamente diferente.

Dá para pensar.

 

Lembro-me quando fiz a Parda.

O Gonçalinho dizia-me: Estrela, eu não quero uma mulher bêbada. Erotize a personagem.

A pobreza e a desgraça são muito físicas, Use o corpo.

Eu tinha feito o oposto. No meu pequeno gravador havia uma mulher a "transbordar" vinho.

Já sabemos como são estes assuntos. Nunca está bem.

 

Então lá surgiu a minha Parda ( com alguns apontamentos da gravação).

Sou um pouco teimosa.

 

SEGUNDO ACTO

 

CENA I

 

PERSONAGENS:

 

D. ROMÃO - Frederico

A MÃE - Estrela

O PAI - António

( os Pais são mais novos que o Filho )

 

D. ROMÃO

- Vai-te, vai-te Romãozinho, que esta noite apanhaste-a boa. O raio da rapariga que me faz sede e o vinho que me vence, acabam por queimar-me os fígados. O beijo de ontem custou-me uma leira; mas ou pouco valho ou a rapariga há-de ser minha! Ainda que me custe quanto herdei dos meus pais.

 

A MÃE

- Bêbado!

 

D. ROMÃO

- Eh? O quê? Que dizes, papagaio real?

 

A MÃE

- Perdulário! espojo! Zombar assim de quem te deu o ser!

 

D. ROMÃO

- Deste-me o ser? Então também te devo a sede que tenho!

 

A MÃE

- Respeita-me, degenerado, que sou tua mãe!

 

D. ROMÃO

- Pois não parece, porque eu sou mais velho que tu. Poe isso cala-te, eh! E muito cuidadinho comigo!

 

A MÃE

- Malcriado!

 

D. ROMÃO

- E quem te mandou a ti criares-me? Tinhas dinheiro bastante para pagares a uma ama.

 

O PAI

- Nem pareces meu filho!

 

D. ROMÃO

- Tu, também? Claro que não sou teu filho. Antes pareço teu pai.

 

A MÃE

- Dar uma leira por um beijo... Baboso!

 

O PAI

- Estragares o que herdas-te! E com essas cadelas ranhosas...!

 

D. ROMÃO

- Quem tas dera a ti!

 

O PAI

- Eu sempre respeitei a minha condição. Sempre obedeci à lei da fidalguia. Sempre!

 

D. ROMÃO

- Intrujão! Juras que nunca perdes-te a cabeça por uma mulher?

 

O PAI

- Nunca!

 

D. ROMÃO

- Isso dizes tu por estar ali a tua dona, que é de cabelinho na venta.

 

A MÃE

- Teu pai era um poeta.

 

D. ROMÃO

- Poeta? Ora, ora, ora. Poeta porque te fazia versa de rebuçado?

 

O PAI

- Poeta, sim, e não um borracho.

 

D. ROMÃO

- Pois fica sabendo que houve borrachos que fizeram melhores versos do que os teus.

 

O PAI

- Degenerado! Nem pareces meu filho!

 

D. ROMÃO

- Olha lá, meu pândego! Já por duas vezes que dizes a mesma coisa e estás a ofender a minha mãe!... ´Não estás a ouvir o que diz o teu poeta? Está a dizer que não pareço filho dele.

 

O PAI

- Canalha!

 

A MÃE

- Areeiro! Não pareces nem filho dele nem meu.

 

D. ROMÃO

- Pois se não sou vosso filho, deixai-me em paz. E muito cuidadinho, eh! Porque senão mando-vos passear.

 

.                               .                                   .

 

de " OS VELHOS NÃO DEVEM NAMORAR"

Alfonso Castelao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por ionesco às 21:07
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1 comentário:
De anónimo a 22 de Julho de 2009 às 14:26
Good.

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